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Quartel General dos Aurores

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Quartel General dos Aurores

Mensagem por O Herdeiro em Dom Nov 12, 2017 6:54 pm



QG dos Aurores:


A sala é retangular e tem uma boa iluminação, dois sofás ficam no seu centro e alguns armários com papéis confidenciais ficam em um pequeno armário marrom no canto da sala. Cada auror possui sua mesa, as quais são espalhadas pela sala, rodeando a mesma. Nas paredes pode-se ver quadros de grandes aurores como a Nifadora Tonks, Olho Tonto Moody e Harry Potter, como uma espécie de memorial.
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Re: Quartel General dos Aurores

Mensagem por Jane Blackwood em Ter Jan 16, 2018 5:32 pm

Ela estava correndo, o desespero a movendo mais rápido do que qualquer outro impulso que já tivera na vida, as pernas se movendo rápido enquanto o corpo se sacudia, tudo de forma mecânica, as lágrimas molhavam seu rosto.
Mas agora não estava mais correndo, estava sentada em uma sala com várias pessoas, o casaco de alguém havia sido colocado sobre seus ombros e uma xícara de chá entre seus dedos, mas ela não bebia, ou se mexia, ela apenas corria em sua mente, tentando fugir de si mesma, tentando fugir daquele mostro que a dominava, enrolava seus dedos negros e fétidos ao redor de seu delicado pescoço e o apertava, puxando-a e a envolvendo em sombras.
Era essa a sensação, a sensação do pecado vindo a toda, não era algo que se pudesse evitar, era como se dois seres totalmente distintos habitassem o mesmo ser, a doce e jovem Lufana, coabitanto o corpo com um dos pecados mais desprezíveis que existia, a Ira.
Estendeu a mão e depositou a xícara sobre a mesa de madeira, seu rosto não tinha expressão, seu corpo não podia se mover, ela apenas existia naquele momento, e nem isso queria fazer, pois qualquer mero detalhe a fazia voltar algumas horas no tempo…
Era o jantar de natal, o padrasto estava sentado a ponta da mesa, comendo em silêncio e sem expressão, ao lado da garota, estava a mãe, a cabeça baixa com os cabelos castanhos derramados sobre a lateral do rosto, escondendo um hematoma no canto do olho, diante dela estava o irmão, tal qual o padrasto, sem expressão nenhuma em seus olhos azuis e gelados.
O natal na grande casa dos Blackwood era assim, não havia presentes, não havia risadas, bebidas temáticas, não havia nada além dos quatro reunidos ao redor da mesa e comendo.
As vezes o irmão comentava que não era assim antes, na época que o pai de ambos era vivo, Pablo, ele fazia os natais serem felizes, ainda eram só os quatro, mas com pratos enfeitados, muitas risadas, brincadeiras, vários presentes, e a mãe sorria como nunca sorrira na vida.
Não era assim desde que Jane se lembrava, depois da morte do pai para protegê-los de uma tia maluca, nunca mais vira a mãe sorrir, ela se esforçava para fazer tudo que precisava ser feito pelos filhos, mas alguns filhos, como Johnathan, estavam longe de ter uma salvação.
Johnathan costumava dizer que era culpa da irmã.
Depois de poucos anos ela se casou com um cara nojento e abusivo, que a espancava quase todos os dias, mas mantinha as contas pagas, ela e o irmão vestidos e alimentados, segundo Beatrice, ela os estava protegendo, mas Jane não sabia exatamente do que a mãe poderia proteger eles, ainda mais quando entrava em seu quarto e a via encolhida em um canto, com uma gilete entre as mãos e cortando o próprio braço.
Mas, divagar sobre o passado de uma criança que cresceu em um ambiente inadequado não é o ponto chave que queremos, mas sim, o desfecho dos fatos daquela fatídica noite, que a levaram até o quartel dos Aurores com o vestido azul e delicado manchado de sangue.
Depois da ceia de natal cada um se recolhia aos seus aposentos, Jane subiu as escadas lentamente, encostando as pontas dos dedos no corrimão, ouvindo o padrasto resmungar alguma coisa enquanto ouvia o rádio na sala de estar, não estava cansada, mas só queria se deitar e dormir, estava arrependida até os ossos de não ter aceitado o convite do ex namorado de passar o natal com a família dele no casarão do Ministro da magia, ela preferira ficar ali com a mãe, o que na verdade não havia sido tão ruim, podia ver no olhar desesperado da mãe o quanto ela era importante, podia ver os olhos castanhos dela se encherem de lágrimas sempre que encarava os olhos azuis gelados da filha, tão idênticos aos do pai, quando a mãe a abraçava, sentia como se uma pequena faísca de luz piscasse dentro de ambas, era o único momento que Jane conseguia realmente sentir alguma coisa.
Naquela noite algo estava diferente, quando contou a família que havia terminado o namoro com Oliver e o padrasto a criticou, ela soube se defender dele, impor sua opinião, soube se defender do irmão, soube se colocar entre eles, e isso trouxe um brilho levemente encantado nos olhos da mãe, que permanecia quando a mesma abraçou a filha e lhe disse baixo:
– Você não precisa mais ser protegida.
Jane tinha quinze anos, como não precisaria mais de proteção.
Naquela noite entrou em seu quarto, encarando as grades da janela com resignação, já estava habituada aquilo, mas ainda não estava habituada a sombra alta e fria jogada no canto do imenso quarto.
Ela o encarou por alguns segundos, depois se virou para a lareira que sustentava acima três grandes castiçais de aço fundido, se olhando no espelho por trás dos castiçais e tirando os brincos, dizendo em um tom monótono:
– O que você quer, Johnathan?
O irmão já estava em pé e deslizava sombrio pelo quarto parando bem a frente da porta e a encarando, frio, calculista, assustador, mas não para ela, Jane nunca havia tido medo do irmão.
– Não gostei do seu tom hoje depois do jantar.
Jane se virou e o encarou, apoiando as mãos na cintura perfeitamente delineada, o irmão tinha seus dezenove anos e era absurdamente grande, beirando os dois metros de altura, com ombros largos aqueles olhos frios que ambos haviam puxado do pai.
– Eu já disse, Johnny, eu não ligo se você gostou ou não, eu tenho a minha própria vida e já é hora de você e o Desmond pararem de cuidar dela.
Ouviu o barulho da tranca e congelou por alguns segundos, conhecia bem o irmão e sabia qual pecado o dominava, ele apenas deu dois passos a frente, dizendo em seu melhor tom:
– Se você não liga pra minha opinião, também não vai ligar se eu fizer algumas coisas legais…
Ela deu um passo para trás no momento que a mão dele tocou sua cintura, o que ele pensava que estava fazendo? Eram irmãos, ela tinha quinze anos, o que ele queria fazer naquele quarto?
Soube a resposta quando ele empurrou sua cintura contra a parede, bem ao lado da lareira, colando os lábios aos dela de forma dura, fazendo-a apertar os olhos com força e empurrar seus ombros debilmente, sentindo-o puxar seu vestido para cima enquanto os lábios gelados procuravam seu pescoço, por Merlin, eles eram irmãos!
Foi quando sentiu uma fisgada forte na boca do estômago, como se toda a sua alma estivesse sendo puxada por ali, sendo substituída por algo negro, escuro, fétido e frio, muito frio.
Ela levantou a mão, alcançando um dos castiçais e atingindo com força a lateral da cabeça do irmão, que imediatamente a soltou e caiu de lado no chão, gemendo.
Ela passou as costas da mão sobre os lábios úmidos e o batom manchado, rodeando o irmãos que começava a se levantar xingando alguma coisa e pingando sangue, manchando o carpete marrom do quarto.
Ela não queria que ele se levantasse, e ele não iria se levantar, ele havia despertado algo na alma da doce garota que nunca deveria ser despertado, algo que deveria ser mantido oculto, com toda a frieza do mundo e uma força descomunal, ela atingiu novamente a cabeça do irmão com aquele castiçal.
Não parou na primeira, nem na segunda, continuou batendo até ele parar de se mexer, nada havia sido dito, nada precisava ser dito, ela apenas continuou erguendo o castiçal e o lançando contra o irmão, com algo mágico tomando conta dela, algo que lhe dava força e resistência, e o pior, algo que lhe dava uma… Ira… incontrolável.
Parou finalmente quando viu o que havia feito, a cabeça do irmão estava ensanguentada, disforme, com um material gelatinoso se espalhando em volta, fazendo o estômago dela se embrulhar.
Jogou o castiçal no chão, limpando a mão ensanguentada no próprio vestido, caminhando tranquilamente até a porta do quarto e a abrindo, chamando a mãe.
Não demorou para Beatrice aparecer na porta do quarto, encarando a filha com a face pálida, e finalmente olhando para dentro do quarto.
Ela encostou o ombro na parede e deslizou ali mesmo, apoiando os joelhos no chão e cobrindo a boca com as mãos, caindo em um choro desesperado, não sabia se pela morte do filho, a perdição da filha, ou ambos.
Ou talvez o pior dos motivos, Jane havia matado o irmão, e não sentia absolutamente nada a respeito.
Sua mente retornando aquele momento, Jane percebeu que, na verdade, nunca havia corrido, as lágrimas molhavam seu rosto involuntariamente, mas ela não havia corrido, encarou a mãe ali, destruída, quebrada, ela estava assim a tantos anos, sabia que o que mantinha em pé eram os filhos, agora, que sua caçula havia matado seu filho mais velho? Sabia que a mãe não se levantaria mais, e no fundo de sua alma, algo gritava que era melhor assim, a pelo menos dez anos Beatrice tentava se matar, a pelo menos dez anos ela vivia em um estado constante de agonia, isso não era vida para ninguém, e foi pensando nisso que Jane caminhou calmamente até o banheiro, pegando uma lâmina de barbear e voltando até a porta de seu quarto, estendendo-a até a mãe e dizendo com uma voz calma:
– Eu não preciso mais ser protegida.
Beatrice pegou a lâmina entre os dedos, olhou a filha, o olhar mais terno que lhe dava em anos, e finalmente, pela primeira vez que a garota se lembrava, sorriu, e é aquele sorriso que guardaria na memória para sempre, o sorriso de liberdade, o sorriso de alguém que olhava o próprio destino se cumprir a sua frente, ela era a única que tinha o amor da filha, e como um passarinho, Jane estava pronta para deixá-la ir.
Se abaixou por um momento, beijando demoradamente a testa da mãe, que permanecia com seu lindo sorriso, assim, ficou ao lado dela, acariciando seu cabelo e a olhando, depois, segurando sua mão enquanto os pulsos cortados escorriam o líquido da vida, ela ficou ao lado da mãe até o brilho deixar seus olhos, e então os fechou, finalmente deixando seu bem mais precioso partir para acabar com sua dor.
Seus pensamentos sobre aquela noite iam e vinham, havia perdido toda a família que lhe restava, e sabia que o nojento do padrasto não ia se responsabilizar por ela, aquela noite quando saiu de casa ele continuava na sala, resmungando e ouvindo o rádio, nem imaginava que a esposa e o enteado estavam mortos no andar de cima, ela apenas parrou por ele e abriu a porta, saindo de casa com a varinha em punho, apontando-a para cima assim que atingiu a rua e falando em um tom inexpressivo:
– Periculum!
Os acontecimentos seguintes foram um borrão, ela estava sentada na calçada quando alguém jogou um casaco sobre ela, eles interrogavam o padrasto, a área foi isolada, dois Aurores estavam ali investigando, vieram até ela, a mulher se abaixou, perguntando baixo:
– Senhorita Blackwood, não queremos pressioná-la, sabemos que é um momento difícil, mas precisamos saber o motivo da sua mãe ter feito aquilo.
Uma expressão de confusão tomou conta dos olhos da garota, balançando a cabeça, dizendo em um tom baixo e calmo:
– Não, não foi ela, eu matei meu irmão, ela se matou depois que viu…
Contou para os dois na rua toda a história, omitindo a sensação de nada que sentia e o fato de ter ajudado a mãe a tirar a própria vida, depois foram para o quartel dos Aurores, e ali, novamente, ela contou toda a história, omitindo os mesmos detalhes que anteriormente.
Desde então estava ali, suja de sangue, o cabelo louro desgrenhado, mas por dentro estava neutra, não sentia absolutamente nada.
Alguns minutos depois um homem mais velho apareceu, sentando-se na mesa atrás dela e fazendo algumas perguntas, como o nome completo dos pais, o nome completo dos avós, se tinha algum parente que poderia se responsabilizar por ela, ela simplesmente não sabia, tudo que sabia e conhecia da família tinha acabado hoje.
– Escuta, mocinha – Ela levantou o olhar e encarou o homem sentado ali. - O nome do seu pai era Pablo Sowsfield Blackwood, os parentes mais próximos que você tem são a família Sowsfield, Stella Sowsfield era prima do seu pai, não estamos conseguindo contato com eles, mas te levaremos até lá, eles serão seus representantes legais até que o caso seja fechado.
O homem se levantou e saiu, Stella Sowsfield era madrinha do Oliver, era onde ele e Mia estavam agora, era para onde a levariam.
De alguma forma estranha, sentiu seus sentidos aguçados, ouviu ao fundo alguém dizer:
– Senhor, acha uma boa ideia liberá-la? Ela matou um cara muito maior do que ela sem magia.
O outro homem respondeu, em um tom mais ríspido e duro:
– Eu não vou jogar uma garota órfã de quinze anos em uma cela no natal, agora leve-a até o casarão Lux!
Ela não soube quanto tempo ficou ali esperando, ou como seria recepcionada pela família do pai, apenas ficou ali, olhando para o nada, sem nenhuma expressão no rosto, algo havia mudado drasticamente dentro dela.

[Off]
Merely the sound of your voice made me believe that, that you were her just like the river disturbs my inner peace. Once I believed I could find just a trace of her beloved soul, once I believed she was all then she smothered my beliefs.



_________________

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